terça-feira, 31 de maio de 2011

Desilusão-Padrão

Sabe quando você conhece um cara super legal que acabou de sofrer na mão de uma garota? Não? Pois é, eu sei. E sei bem até demais! Depois de muito avaliar as relações nas quais estive envolvida (desde 2004), cheguei à conclusão de que sou um excelente remédio para as feridas feitas por outras mulheres, mas nunca boa o suficiente para ser a namorada. E que sou um radar para um tipo ALTAMENTE ESPECÍFICO de homens:

– Morenos com nomes incomuns. São altos, usam óculos, estão ligeiramente acima do peso e cheios de tesão. Curtem literatura, cinema, games, quadrinhos e mulheres com sutiã farto (meu caso). E a principal característica: Foram sacaneados ou rejeitados por absolutamente TODAS as garotas que passaram por suas vidas.

É sempre assim: Ficamos amigos, saímos, trocamos uns beijos. Depois de tornar isso freqüente, chamamos nosso envolvimento de “amizade colorida” e decidimos nos conhecer melhor. Como ele está fragilizado por causa da louca/vaca traidora que o deixou mal, e como eu também já tive a minha cota de malucos, “nos conhecer melhor” parece uma sábia decisão. Mas deixo claro desde o começo que não sou de amizades coloridas. Para mim, esse tempo serve exatamente para saber com quem estou lidando, mas para os homens realmente não sei o que significa. Enfim…

Enquanto a amizade colorida vai fluindo, eles me entopem de SMS, ligações, mensagens públicas e reservadas em perfis nas redes sociais. Quando estamos online ao mesmo tempo, a conversa nunca cessa. Parece o encaixe perfeito! Coberta de elogios; ouço com freqüência frases como: “você me faz muito bem”, “você não é uma garotinha, você uma mulher”, “gosto muito de ti”, “você não é just-for-fun”. Aquele BLÁBLÁBLÁ fascinante.

Embora nenhum de nós acredite em “príncipe encantado”, eles fazem de tudo para se parecerem com um. Usam de todos os artifícios para encantar, conhecem as frases certas e demonstram por você o respeito que todos os outros nunca tiveram. E é claro que você, mais cedo ou mais tarde, se apaixona.

O tempo varia, mas nunca leva menos de 2 meses para acontecer. Quando acontece, você reprime o sentimento por achar que ainda é cedo demais para anunciá-lo. Analisa o envolvimento de vocês desde o começo, pontua cada detalhe, relê todas as coisas lindas que ele te escreveu só pra garantir que não são fruto da sua imaginação. Pensa em todas as demonstrações de intenso afeto... Ninguém age desse jeito com uma pessoa que não seja significante. Se você é tudo aquilo mesmo que ele diz, não tem como a coisa não estar indo de bem a melhor… E, além disso, tem a forte impressão que mesmo sendo livre para tal, ele (assim como você) não está saindo com mais ninguém. Como tudo parece estar caminhando pra onde você gostaria, pra que revelar o sentimento antes do tempo e espantar o cara? Então você decide segurar os seus cavalos.

E aí, não mais que de repente, ELE MUDA DE ATITUDE. Pára de ligar, de mandar mensagens, de te dar atenção na internet. Marca algo pro fim de semana e desaparece. Ou esquece que marcou, e ao longo da semana combina outra coisa com os amigos pelo twitter. Você o assiste de camarote fazendo planos (que não te incluem) para os dias que já havia agendado com você. E sua condição de “amiga colorida” não lhe da o direito de fazer cobranças. Você só pode esperar que ele te dê uma satisfação, mas ele não da.

Porque ele não mudou antes de você se dar conta de que estava apaixonada? – Parece que eles sentem o cheiro da paixão, e entendem esse sinal como: “É hora de matar o cara legal que fui até agora” – Por um momento, você se culpa por sentir demais a mudança dele. Você tenta se convencer que não é nada pessoal, que diante de tudo o que ele te diz, essa mudança só pode ser conseqüência dos momentos difíceis que ele está vivendo. Depois de achar que está dando muita importância para atitudes aparentemente bem justificadas, você cai na real: “Peraí! Nós somos AMIGOS antes de qualquer coisa. Não é assim que ele trata os amigos, então porque está me tratando desse jeito? Ele não mudou com os outros, então porque mudou comigo?”

Antes confrontar o cara, você consulta sua consciência (e seus amigos) por muitos dias. Dias que opta por esperar pra ver se ele vai voltar a ser quem era ou se vai manter o comportamento atual. E ele não volta a ser quem era. Muita angústia, muito choro e já sufocada pelas coisas não ditas, você o chama para conversar. Diz que está gostando demais dele e que sabe que a condição dos dois não lhe permite aquele sentimento. Comenta da mudança de comportamento que está te machucando. Você relembra que não é de ter amizades coloridas. Que agora que está gostando dele pra valer não pode garantir que não irá querer mais do que ele está disposto a dar. Logo, terminar com aquilo parece ser a solução mais sábia. E ele entende tudo numa boa, diz que gosta muito de você e não quer que a relação te faça mal. Ele relembra que não está pronto pra um relacionamento agora e só discorda em relação à mudança de comportamento, pois jura de pés juntos que está sendo o mesmo, ou, justifica com seus problemas.

Nessa hora você está chorando tanto que mal identifica as letras no teclado, e por mais que queira engolir a justificativa dada, você sabe que ele não mudou com os outros. Você vê! E não da para ignorar isso. Foi só com você, e você não pode continuar se enganando. Então tiram a cor, e supostamente, a amizade continua.

Após tudo esclarecido, você pensa que foi uma infelicidade se apaixonar enquanto ele ainda não estava pronto para um relacionamento. Você sabe respeitar o tempo do outro, mas também respeita o seu, e tem consciência que levar a coisa em frente só faria mal. E aí você pensa que foi legal enquanto durou. Foi uma pena que outra garota o tivesse traumatizado tanto. Foi uma pena ele não ter caído de amores por você também. E se conforta dizendo que “não era para ser”. Mas então, enquanto você está lá sendo amiga e se curando, o que menos espera acontece:

Seu amigo ex-colorido que não estava pronto para um relacionamento às vezes vem te desejar “feliz natal” e avisa que está se mudando para outro estado (pra ficar com outra garota), às vezes vem te puxar no MSN (15 dias depois dessa conversa) para dizer que está namorando, às vezes já está no dia seguinte declarando altos amores por outra em seus perfis.

E o que te resta a não ser se sentir um LIXO? O que resta a não ser se sentir uma completa idiota ter acreditado em tudo o que eles disseram, por achar que algum dia o seu carinho e sua dedicação seriam reconhecidos e você teria isso de volta? Você recebeu novas provas de que esse parece ser o seu destino: curar o homem ferido por outra e deixá-lo novinho em folha pra quem vier depois, e quem vem depois nunca é você. Você sente que não merece ser amada, e que não é tão boa quanto eles te fazem sentir enquanto te querem por perto. E você se sente mais idiota ainda por querer manter amizade com caras que foram tão negligentes com os seus sentimentos, e, sobretudo, negligentes com a sua amizade. Negligentes por demonstrar um excesso de interesse em você. Negligentes ao mudar drasticamente de comportamento e não admitirem isso. Negligentes ao não terem o mínimo tato ou consideração, ao expor seus novos afetos meros dias/horas depois de encerrarem a amizade colorida, sabendo que você só tirou a cor da relação por estar apaixonada sem reciprocidade. E você sente que está reafirmando toda a sua estupidez por não conseguir ser diferente. Por não conseguir guardar mágoa e odiar aquele cara, desejar seu mal e fazer como muito te aconselham e apagá-lo da sua vida.

Você sabe que não pode forçar ninguém a retribuir seu sentimento, mas espera pelo menos que parte da amizade seja real naquilo tudo. Espera que ele tenha um mínimo de bom senso para respeitar o sentimento do qual você ainda não se livrou, mas ele parece simplesmente não se importar. Então você se afasta da internet para não ver mais atualizações, para não saber da vida dele, para catar os seus cacos espalhados por aí e se recompor.

ENTRETANDO, NEM SEMPRE É ASSIM QUE TERMINA...

Às vezes, quando você está QUASE bem de novo, QUASE terminando o mosaico dos cacos espalhados que recolheu. Quando sente que já QUASE da pra conviver com ele como amiga, ele te procura. E da a entender que sentiu sua falta, que está pronto pra algo mais. Afinal, você deixou claro que não é garota de amizades coloridas, então se ele está te procurando é porque quer mais do que tinham antes. E por uma fração de segundo você – IDIOTA – pensa: “Será que a vida está me surpreendendo?” Essa fresta de esperança bagunça todas as pecinhas que você já tinha encaixado no seu mosaico. E no dia seguinte ele retira TUDO o que disse. E você é atirada de volta ao abismo da estaca zero. SEMANAS de trabalhos diários para se colocar em ordem são descartados em poucos minutos. E você se sente mais lixo ainda por ter achado que a vida e ele te surpreenderiam. Você odeia a sua fé e a sua ingenuidade. Você se odeia por acreditar em tudo o que te dizem. Você se odeia por não conseguir desconfiar das pessoas.

Nessas horas é difícil pensar com CLAREZA. Você só sabe daquilo que você sente. E você sente que é muito ruim passar por isso repetidas vezes. É muito difícil tentar continuar sendo bem resolvida depois de ser tão colocada para baixo. É difícil sair da cama todos os dias e ir para a faculdade e para o trabalho quando tudo o que você quer é o que mundo desapareça, ou que pelo menos você desapareça do mundo.

Mas é essa fé e essa ingenuidade que você tanto odeia que te empurram em direção à persistência. Elas te mantém pendurada por um fino fio de esperança que te diz que VOCÊ MERECE as coisas que deseja, mas que são coisas boas demais, e que para conseguir algo tão bom você precisa sofrer bastante. Porque tudo que vem fácil vai fácil também, e quando vier pra você, VAI SER PRA VOCÊ, VAI SER SÓ SEU, e vai ser TUDO o que você sempre pediu. E VAI SER DOCE!


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  • Essa foi uma postagem que preparei para o blog de uma amiga que trata justamente disso, dessas infelicidades em relacionamentos. Ela perguntou se eu queria "vomitar meus sapos-boi" e eu senti que estava mesmo precisando fazer isso.

  • Só estou publicando aqui também porque sei que ninguém lê isso aqui, e bom, o texto é meu, eu gosto dos meus textos, se não gostasse não os escreveria, então aqui está.

  • E sim, ele é uma tentativa de compilação do "Karma parte I" e do "Karma parte II" que estão logo abaixo =)

terça-feira, 24 de maio de 2011

O Karma [ Parte II de II ]

  • Conclusão.

Muita angústia, muito choro e muita deliberação depois, você o chama para a conversa. Diz que está gostando demais dele e que sabe que a condição de amizade colorida não lhe permite aquele sentimento. Comenta da mudança de comportamento dele que está te machucando, e diz que não da mais pra levar a coisa do jeito que está.

Você o relembra que não é uma garota de “amizades coloridas”, que aceita essa condição, mas por tempo limitado, e que agora que está gostando dele, você não pode garantir que não vai querer mais do que ele está disposto a dar, e será melhor para os dois se não continuarem com aquilo.

Ele entende tudo numa boa, diz que não quer que a relação te faça mal, e te relembra que não está pronto pra um relacionamento agora. Ele só bate de frente com você em relação à mudança de comportamento, porque jura de pés juntos que está sendo o mesmo, ou, justifica a mudança com seus problemas.

Nessa hora você está chorando tanto que mal identifica as letras no teclado. E por mais que queira engolir a justificativa da mudança, você sabe que ele não mudou com os outros. Você vê! E não da para ignorar isso. Foi só com você, e você não pode se enganar. Então tiram a cor da amizade, e supostamente, a amizade continua.

Aí começa a ficar divertido de novo (sarcasmo). Seu amigo colorido que não estava pronto para um relacionamento às vezes vem te desejar feliz natal e avisa que está se mudando pra outro estado (pra ficar com outra garota), às vezes vem te puxar no MSN 15 dias depois dessa conversa para dizer que está namorando, às vezes já está no dia seguinte a essa conversa declarando altos amores por outra em seus perfis.

E o que te resta a não ser se sentir um lixo? O que te resta a não ser sentir que você só serve pra isso? O que resta a não ser se sentir uma completa idiota por achar que algum dia o seu carinho e sua dedicação serão reconhecidos e você terá isso de volta?

Você acabou de receber novas provas de que esse parece ser o seu destino: curar o homem ferido por outra e deixá-lo novinho em folha pra quem vier depois, e quem vem depois nunca é você. Você acabou de receber a enésima confirmação de que não merece ser amada. De que não é tão boa quanto eles te fazem sentir enquanto te querem por perto.

E você se afasta da internet por uns tempos para não ver mais atualizações, para não saber da vida dele, para catar os seus caquinhos espalhados por aí e se recompor. Uns meses depois, quando sente que já está bem, vai voltando aos poucos.

Mesmo curada baque, você vê sua desilusão recente e todas as anteriores superfelizes enquanto você se sente a criatura mais invisível, mal amada e descartável do planeta. Se sente mais idiota ainda por querer manter amizade com caras que foram tão negligentes com os seus sentimentos, e sobretudo, foram negligentes com a sua amizade.

Negligentes ao demonstrar um excesso de interesse em você que mais tarde foi convertido numa mudança de comportamento negativa que nunca foi admitida. Negligentes ao compartilharem com você seus amores sabendo que você só tirou a cor da amizade pois estava apaixonada, e eles não correspondiam a esse sentimento.

E você reafirma toda a sua estupidez por não conseguir ser diferente. Por não conseguir guardar mágoa. Por não conseguir odiar aquele cara, sentir rancor e fazer como muito te aconselham e “deletar essa pessoa da sua vida.” Só o que você sente é uma profunda tristeza pela sua vida amorosa, que parece fadada àquele eterno fracasso.

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Mas às vezes nem é assim que acontece.

Às vezes, antes mesmo de você superar, quando você está QUASE bem de novo, QUASE terminando o mosaico dos cacos espalhados que você recuperou. Quando você sente que já QUASE da pra tentar conviver com ele como amiga, ele te procura.

E da a entender que sentiu sua falta, que já está pronto pra algo mais. Afinal, você deixou claro que não é garota de amizades coloridas, então se ele está te procurando é porque quer mais do que tinham antes.

E por uma fração de segundo você, idiota, pensa: “Será que a vida está me surpreendendo?”. Essa fresta de esperança bagunça todas as pecinhas que você já tinha encaixado do seu mosaico. E no dia seguinte ele retira tudo o que disse, e você volta a estaca zero.

Semanas de trabalhos diários para se colocar em ordem são descartados em poucos minutos. E você se sente mais lixo ainda por ter achado que a vida e ele te surpreenderiam. Você odeia a sua fé e a sua ingenuidade. Você se odeia por acreditar em tudo o que te dizem. E você se odeia por não conseguir ser diferente.

Eu não sei exatamente como concluir essa história, só sei que é muito difícil passar por tudo isso repetidas vezes. É muito difícil tentar ser bem resolvida, saber o que quero, saber bem quem sou e o que desejo pra mim, e não me deixar ficar caída depois de ser tão colocada para baixo.

É muito difícil sair da cama todos os dias e ir para a faculdade e para o trabalho quando você se sente assim, quando tudo o que você quer é o que mundo desapareça, ou que pelo menos você desapareça do mundo. Mas essa fé e essa ingenuidade que eu odeio ainda me empurram em direção à persistência.

Elas me mantém pendurada por esse fino fio de esperança que me diz que eu mereço as coisas que desejo, mas que são coisas boas demais, e que para conseguir algo tão bom eu preciso sofrer bastante, porque tudo que vem fácil vai fácil também, e quando vier pra mim, vai ser para mim, vai ser só meu, e vai ser tudo o que eu sempre pedi.

Mas até que isso aconteça, é extremamente difícil não se deixar enlouquecer por essa realidade.

O Karma [ Parte I de II ]

Sou jovem, tenho 22 anos e mais experiência em decepções amorosas do que gostaria. Desde 2004 percebi que um padrão se repete em minha vida. Não sei ao certo com que palavras dar início ao que tenho a dizer, só sei que nunca falei sobre essas coisas da forma como falarei nos parágrafos abaixo.

Todo ano tenho uma grande desilusão na área dos ”relacionamentos”. Todo Réveillon renovo o pedido para que o ano que inicia seja diferente dos anteriores. Já cheguei até a pedir que o destino não colocasse ninguém no meu caminho se fosse para eu viver o drama todo de novo. Mas a vida ainda não me surpreendeu com essa felicidade.

Vocês precisam saber duas coisas sobre mim: 1) sou um excelente remédio para feridas feitas por outras mulheres, e nunca seja boa o suficiente para ser a namorada. 2) sou um radar para um tipo ALTAMENTE ESPECÍFICO de homens.

Eles são sempre nerds; altos; morenos; usam óculos; tem nomes incomuns; estão ligeiramente acima do peso e cheios de tesão. São um pouco problemáticos; traumatizados. Curtem literatura; cinema; games; quadrinhos; e mulheres com soutien farto (meu caso). E a principal característica: Foram corneados, sacaneados ou rejeitados por absolutamente TODAS as garotas que passaram por suas vidas.

Pode parecer exagero, mas são exatamente assim os homens que aparecem para mim, e quando eles começam a falar, é incrível como esqueço minhas experiências anteriores com esse roteiro. Me deixo levar por suas histórias, fico amiga, e quando menos espero, começam as cantadas.

Saímos. Ficamos. Eles me entopem de SMS, ligações, mensagens públicas e reservadas em perfis nas redes sociais. Quando estamos online ao mesmo tempo, a conversa nunca cessa. Parece o encaixe perfeito!

Eu sou ótima o tempo todo! Ouço com freqüência frases como: “você me faz muito bem”, “você não é uma garotinha, você uma mulher”, “meu dia não é completo sem você”, “gosto muito de ti”, “você não é just-for-fun”. Aquele BLÁ! BLÁ! BLÁ!

Depois de algumas ficadas, concluímos que vamos devagar, que somos amigos coloridos, amigos com benefícios. Porque afinal de contas, ele ACABOU de sair de um relacionamento com uma louca, uma vaca traidora e ainda está fragilizado. E como gosto de saber bem onde estou pisando, aceito. É melhor conhecer o cara direito antes de tentar qualquer coisa mais séria, porque de malucos eu também já estou cheia!

Embora nenhum de nós acredite em “príncipe encantado”, eles fazem de tudo para parecerem um. Perfeitos gentlemen! São caras que te abraçam no parque e cantam Frank Sinatra pra você. Caras que não falam com quase ninguém e compartilham seus gostos mais profundo apenas com você. Caras que te chamam para passar o Réveillon com ele e seus amigos em sua casa numa festinha reservada.

E você vai. Você deixa ele te embalar enquanto sussurra Frank Sinatra no seu ouvido. Você compartilha do prazer com atenção, e mesmo que não saiba nada sobre o assunto, ele te ensina. Você sobe uma ladeira e assiste a queima de fogos equilibrada num pé só (porque o outro está torcido e ele está te abraçando). E você, mais cedo ou mais tarde, se apaixona.

Você engole o sentimento por achar que ainda é cedo demais para anunciá-lo. Você repensa tudo desde o começo, 30 vezes por dia, analisando cada detalhe, identificando sinais e padrões de comportamento. E tem a forte impressão que, mesmo sendo livre para tal, ele (assim como você) não está saindo com mais ninguém.

Pensa nas coisas que ele te diz, em todos os elogios e demonstrações de intenso afeto. Ninguém age desse jeito com uma pessoa que não seja significante. Se você é tudo aquilo mesmo que ele diz que você é, não tem como a coisa não estar indo de bem a melhor…

Você avalia tudo cuidadosamente e decide continuar na sua. Já que todos os sinais indicam que a coisa está caminhando para onde você gostaria, não há motivos para dizer: “Estou apaixonada por você” e assustar o cara antes do tempo. Seus amigos também o adoram e acham que o comportamento dele aponta para o namoro num futuro próximo.

E então, não mais que de repente, ele muda de atitude. Não vou dizer que muda “do vinho para a água” porque água faz bem, e ele muda para algo que começa a não fazer. Pára de ligar, de mandar mensagens, de te dar atenção na internet. Às vezes até te trata um pouco mal. Às vezes é incrivelmente seco.

Ele marca algo pro fim de semana e desaparece. Ou pior, esquece que marcou, e ao longo da semana combina outra coisa com os amigos pelo twitter, e você assiste de camarote ele fazendo planos (que não te incluem) para os dias que ele já havia agendado com você. E você ainda espera um sinal dele dizendo que “babou”, mas ele não lhe da satisfações.

Aí você começa a se perguntar o que fez de errado, ou porque diabos aquilo está acontecendo naquele momento. Porque ele não mudou antes de você se dar conta de que estava apaixonada? Parece que eles sentem o cheiro da paixão, e entendem esse sinal como: “É hora de matar o cara legal que fui até agora.”

Você se culpa por sentir demais a mudança dele, afinal, ele está com preocupações na cabeça, não sabe lidar muito bem com as pessoas, e está com uma vida e uns horários atribulados que com certeza provocam grande exaustão.

Depois de achar que está dando muita importância para mudanças aparentemente bem justificadas, você cai na real: “Peraí! Nós somos AMIGOS antes de qualquer coisa. Não é assim que ele trata os amigos, então porque está me tratando desse jeito?”

Antes confrontar o cara, você consulta sua consciência por muitos dias. Dias que opta por esperar pra ver se ele vai voltar a ser quem era, ou se vai manter o comportamento atual. No fim, você tem que decidir se vai continuar sofrendo em silêncio ou chamá-lo pra conversar. E você começa a sufocar.

  • Continua...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

15 anos sem...

A verdade é que não é fácil ter controle sobre si. Às vezes o sentimento fala mais alto que a capacidade de se manter calado e nessas horas é comum se deixar levar pelo que borbulha aí por dentro... Nunca fui a favor de lutar contra... Essa história de se fazer de forte e não deixar transparecer. Quando estou mal, estou mal, e não vou sorrir e fingir que estou bem para não desagradar ninguém. Principalmente porque, se estou mal, provavelmente preciso de apoio. Por que as pessoas insistem em querer mostrar algo diferente? Ser o que se sente é tão formidável...

"Que aconteça alguma coisa bem bonita para você. Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em todos de novo, que leve para longe da minha boca esse gosto podre de fracasso, de derrota sem nobreza..."

Morangos Mofados
Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Absolutamente F R E A K !

Antes de mais nada, num blog sobre loucura, considero válido esclarecer que já procurei especialistas do ramo e nenhum deles atestou tal característica em mim. Entretanto, se me perguntarem se sou louca eu direi que sim, e acreditarei no que digo. Quantos realmente fazem isso?

Sou uma pessoa cheia de déficits; complexos; problemas de carência; neuroses... Mas quem não é? Acho engraçado como podemos nos colocar na posição de sãos na hora de apontar as loucuras alheias. Não haveríamos também de olhar as nossas próprias - sem hipocrisias? Eu olho para as minhas, e portanto, sinto-me livre para discorrer sobre meus devaneios e conclusões.

Cansei de aborrecer alguns de meus amigos com minhas viagens psicanalíticas (e não necessariamente Freudianas) sobre a cabeça do ser humano, e é movida à incessante vontade de falar sobre isso que crio este meio onde; qualquer semelhança com a realidade não passará de mera loucura, pois coincidências não existem.

Até breve (ou não)...



"A pior das loucuras é, sem dúvida, pretender ser sensato num mundo de doidos."
(Erasmo de Rotterdam)