terça-feira, 24 de maio de 2011

O Karma [ Parte II de II ]

  • Conclusão.

Muita angústia, muito choro e muita deliberação depois, você o chama para a conversa. Diz que está gostando demais dele e que sabe que a condição de amizade colorida não lhe permite aquele sentimento. Comenta da mudança de comportamento dele que está te machucando, e diz que não da mais pra levar a coisa do jeito que está.

Você o relembra que não é uma garota de “amizades coloridas”, que aceita essa condição, mas por tempo limitado, e que agora que está gostando dele, você não pode garantir que não vai querer mais do que ele está disposto a dar, e será melhor para os dois se não continuarem com aquilo.

Ele entende tudo numa boa, diz que não quer que a relação te faça mal, e te relembra que não está pronto pra um relacionamento agora. Ele só bate de frente com você em relação à mudança de comportamento, porque jura de pés juntos que está sendo o mesmo, ou, justifica a mudança com seus problemas.

Nessa hora você está chorando tanto que mal identifica as letras no teclado. E por mais que queira engolir a justificativa da mudança, você sabe que ele não mudou com os outros. Você vê! E não da para ignorar isso. Foi só com você, e você não pode se enganar. Então tiram a cor da amizade, e supostamente, a amizade continua.

Aí começa a ficar divertido de novo (sarcasmo). Seu amigo colorido que não estava pronto para um relacionamento às vezes vem te desejar feliz natal e avisa que está se mudando pra outro estado (pra ficar com outra garota), às vezes vem te puxar no MSN 15 dias depois dessa conversa para dizer que está namorando, às vezes já está no dia seguinte a essa conversa declarando altos amores por outra em seus perfis.

E o que te resta a não ser se sentir um lixo? O que te resta a não ser sentir que você só serve pra isso? O que resta a não ser se sentir uma completa idiota por achar que algum dia o seu carinho e sua dedicação serão reconhecidos e você terá isso de volta?

Você acabou de receber novas provas de que esse parece ser o seu destino: curar o homem ferido por outra e deixá-lo novinho em folha pra quem vier depois, e quem vem depois nunca é você. Você acabou de receber a enésima confirmação de que não merece ser amada. De que não é tão boa quanto eles te fazem sentir enquanto te querem por perto.

E você se afasta da internet por uns tempos para não ver mais atualizações, para não saber da vida dele, para catar os seus caquinhos espalhados por aí e se recompor. Uns meses depois, quando sente que já está bem, vai voltando aos poucos.

Mesmo curada baque, você vê sua desilusão recente e todas as anteriores superfelizes enquanto você se sente a criatura mais invisível, mal amada e descartável do planeta. Se sente mais idiota ainda por querer manter amizade com caras que foram tão negligentes com os seus sentimentos, e sobretudo, foram negligentes com a sua amizade.

Negligentes ao demonstrar um excesso de interesse em você que mais tarde foi convertido numa mudança de comportamento negativa que nunca foi admitida. Negligentes ao compartilharem com você seus amores sabendo que você só tirou a cor da amizade pois estava apaixonada, e eles não correspondiam a esse sentimento.

E você reafirma toda a sua estupidez por não conseguir ser diferente. Por não conseguir guardar mágoa. Por não conseguir odiar aquele cara, sentir rancor e fazer como muito te aconselham e “deletar essa pessoa da sua vida.” Só o que você sente é uma profunda tristeza pela sua vida amorosa, que parece fadada àquele eterno fracasso.

~~~

Mas às vezes nem é assim que acontece.

Às vezes, antes mesmo de você superar, quando você está QUASE bem de novo, QUASE terminando o mosaico dos cacos espalhados que você recuperou. Quando você sente que já QUASE da pra tentar conviver com ele como amiga, ele te procura.

E da a entender que sentiu sua falta, que já está pronto pra algo mais. Afinal, você deixou claro que não é garota de amizades coloridas, então se ele está te procurando é porque quer mais do que tinham antes.

E por uma fração de segundo você, idiota, pensa: “Será que a vida está me surpreendendo?”. Essa fresta de esperança bagunça todas as pecinhas que você já tinha encaixado do seu mosaico. E no dia seguinte ele retira tudo o que disse, e você volta a estaca zero.

Semanas de trabalhos diários para se colocar em ordem são descartados em poucos minutos. E você se sente mais lixo ainda por ter achado que a vida e ele te surpreenderiam. Você odeia a sua fé e a sua ingenuidade. Você se odeia por acreditar em tudo o que te dizem. E você se odeia por não conseguir ser diferente.

Eu não sei exatamente como concluir essa história, só sei que é muito difícil passar por tudo isso repetidas vezes. É muito difícil tentar ser bem resolvida, saber o que quero, saber bem quem sou e o que desejo pra mim, e não me deixar ficar caída depois de ser tão colocada para baixo.

É muito difícil sair da cama todos os dias e ir para a faculdade e para o trabalho quando você se sente assim, quando tudo o que você quer é o que mundo desapareça, ou que pelo menos você desapareça do mundo. Mas essa fé e essa ingenuidade que eu odeio ainda me empurram em direção à persistência.

Elas me mantém pendurada por esse fino fio de esperança que me diz que eu mereço as coisas que desejo, mas que são coisas boas demais, e que para conseguir algo tão bom eu preciso sofrer bastante, porque tudo que vem fácil vai fácil também, e quando vier pra mim, vai ser para mim, vai ser só meu, e vai ser tudo o que eu sempre pedi.

Mas até que isso aconteça, é extremamente difícil não se deixar enlouquecer por essa realidade.

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